Compositor: Martinho da Vila, Silvio Brito, Forestier (Ch) Claude, Charles Aznavour
Eu lhes falo de um tempo
Que os menores de vinte anos
Não podem saber
Montmartre naquele tempo
Colocava seus lilás
Até sob nossas janelas
E se o humilde quarto mobiliado
Que nos serviu de ninho
Não tinha um boa cara
Foi lá que a gente se conheceu
Eu que chorava miséria
E você que posava nua
A boêmia, a boêmia,
Isso queria dizer:
A gente é feliz
A boêmia, a boêmia,
Nós só comíamos um dia em dois
Nos cafés vizinhos
Nós éramos alguns
Que esperávamos a glória
E apesar da miséria
Com o estômago oco
Nós não deixamos de crer na glória
E quando, em alguma taverna
Com uma boa comida quente
Nós pegávamos uma tela
Nós recitávamos versos
Juntos ao redor do aquecedor
Esquecendo do inverno
A boêmia, a boêmia
Isso queria dizer:
Você é bonita
A boêmia, a boêmia
E nós tínhamos idéas geniais
Freqüentemente me acontecia
Diante do meu cavalete
Passar noites brancas
Retocando o desenho
Da linha de um seio
Da curva de um quadril
E isto só pela manhã
A gente se sentava finalmente
Antes de um café com creme
Esgotados mas deliciados
Era preciso que a gente se amasse
E que amasse a vida
A boêmia, a boêmia
Isso queria dizer:
A gente tem vinte anos
A boêmia, a boêmia
E nós vivíamos do ar do tempo
Qualquer dia desses
Eu farei um passeio
Ao meu antigo endereço
Eu não o reconheço mais
Nem as paredes, nem as ruas
Que viram minha juventude
E do alto de um escadaria
Eu procuro o atelier
Que não existe mais
Em sua nova decoração
Montmartre parece triste
E os lilás morreram
A boêmia, a bêemia
A gente era jovem, a gente era louco
A boêmia, a boêmia
Isso não quer dizer absolutamente nada...